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registros especiais
Fatos que marcaram a crônica policial.
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A Polícia Civil nasceu junto à Secretaria dos Negócios da Justiça, em 1841, tendo como primeiro chefe de polícia, o Conselheiro Rodrigo Antonio Monteiro de Barros (foto).
No ano seguinte, surgiu o cargo de Delegado de Polícia, através da Lei nº 261, de 3 de dezembro, regulamentada pelo Decreto nº 120, de 31 de janeiro, o qual modificou o Código de Processo Criminal, estabelecendo um aparelhamento policial centralizado e eficiente em nosso País.
No ano seguinte, surgiu o cargo de Delegado de Polícia, através da Lei nº 261, de 3 de dezembro, regulamentada pelo Decreto nº 120, de 31 de janeiro, o qual modificou o Código de Processo Criminal, estabelecendo um aparelhamento policial centralizado e eficiente em nosso País.

Delegado de Policia Joaquim Firmino de Araújo Cunha, "O Mártir da Abolição".
Foto do Delegado e de sua residência em Itapira, onde ocorreram os fatos.
Seu assassinato em 1.888 redundou a mudança do nome da cidade depois de 2 anos, passando de Penha do Rio do Peixe para Itapira.
Da vasta bibliografia que registra o período escravagista e a fase abolicionista no Brasil, é mínima a que se refere a um episódio que teve expressiva repercussão quatro meses antes da assinatura da Lei Áurea. Trata-se da participação que teve um Delegado de Polícia no movimento abolicionista no interior de São Paulo, nos últimos anos do século XIX, da qual resultou o sacrifício da sua vida de forma brutal. Esse Delegado era Joaquim Firmino de Araújo Cunha, cuja morte se deu na madrugada de 11 de fevereiro de 1888, quando foi vitimado por um bando alucinado de fazendeiros escravagistas e seus capangas, que invadiram a sua residência e o trucidaram.
A história desse triste episódio é conhecida nas vizinhas cidades de Itapira e Mogi Mirim, a primeira por ter sido o palco do acontecimento e a segunda por ser a terra natal da vítima. Foi sem dúvida um fato lamentável, do qual redundou a mudança do nome da cidade, passando do 'execrando' Penha do Rio do Peixe para o 'eufônico' Itapira, conforme solicitação feita pelas autoridades locais ao governador do Estado, Prudente de Moraes, isso em 1890. A alteração era a forma de tentar extinguir da memória das pessoas a mácula que ultrajava os penhenses desde a ocorrência do assassinato.
Hoje quando se fala na morte de Joaquim Firmino, o caso é narrado com algumas fantasias e várias distorções. Mesmo assim, pelas circunstâncias em que se deu o crime, o episódio de 11 de fevereiro de 1888 está enquadrado na relação das efemérides ligadas à escravatura e à abolição no Brasil, e Joaquim Firmino é citado como herói e mártir da emancipação da raça negra.
O advogado de defesa dos réus, Brasílio Machado considerou falsas as acusações feitas pela imprensa quanto à selvageria do crime, além de não concordar com o título de mártir dado a Firmino, alegando que o delegado era senhor de duas escravas o que não condizia com sua postura abolicionista. Provavelmente o próprio Brasílio também possuísse escravos, o que não quer significar que ambos - ele e Firmino - não esposassem ideais emancipacionistas. O mesmo já não se pode dizer em relação àqueles que defendiam intransigentemente a permanência do regime do cativeiro.
Espantosa a inusitada a atitude adotada pelos fazendeiros penhenses de eles próprios invadirem a casa de Joaquim Firmino, em plena madrugada e trucidarem seu morador. A dedução mais plausível é a de que eles estavam irritadíssimos com o delegado pelo descumprimento de determinações superiores que o mandavam dar caça a escravos fugidos, ao que ele se negava terminantemente. Junte-se a este fato a impertinente e provocadora atitude de açoitar em sua própria casa, escravos de figuras importantes da cidade, como era o caso do major David Pereira, neto do co-fundador da cidade. Mais ainda, desde o ano anterior Joaquim Firmino e Joaquim Ulisses Sarmento, seu conterrâneo de Mogi Mirim, participavam de movimentos abolicionistas nessa cidade e Penha do Rio do Peixe. Cunha deve ter sido visto como uma perigosa arma voltada contra os senhores poderosos, pelo estímulo que transmitia aos escravos de abusarem de direitos que não tinham. Restava, pois, colocá-lo no seu devido lugar.
Diante do descaso com que eram tratados os fazendeiros da Penha, o chefe da Polícia da capital, naturalmente por denúncia que lhe chegou às mãos, resolve exonerar Joaquim Firmino do cargo de delegado, que vinha exercendo desde de 1885. Por incrível coincidência, o ato de demissão, assinado pelo presidente da província, está datado de 11 de fevereiro de 1888, exatamente do dia do assassinato de Firmino. Arriscar alguns prognósticos e a esta altura do tempo já decorrido é um tanto fora de propósito, mas não deixa de ser válida a cogitação de que se os fazendeiros tivessem sabido da exoneração o crime poderia até não ter ocorrido.
Foram precipitados os fazendeiros-escravocratas penhenses, levando a efeito o trucidamento de Joaquim Firmino. Com isso, contribuíram para avivar a propaganda abolicionista, na qual pontificavam nomes dos mais expressivos, tais como Rangel Pestana, Bernardinho de Campos, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Ângelo Agostini, João Mendes Jr., entre outros. Os detalhes da invasão da residência do delegado, em plena madrugada, as agressões sofridas pela esposa e os três filhos menores, a selvageria de que se revestiu o assassinato de Firmino, chocaram profundamente os abolicionistas e a opinião pública, fazendo com que a Princesa Isabel não retardasse a assinatura da lei emancipadora no dia 13 de maio daquele ano, três meses após o crime ocorrido na pacata e até então desconhecida Penha do Rio do Peixe, a futura Itapira.
As primeiras notícias do assassinato de Joaquim Firmino estampadas na imprensa são devidas ao jornalista, farmacêutico e vereador Joaquim Ulisses Sarmento, amigo íntimo da vítima. Foi na Gazeta de Mogi Mirim que no dia seguinte ao acontecimento, um domingo, saiu publicada a primeira informação da ocorrência. Na terça feira, dia 14, os grandes jornais abriam suas páginas registrando o crime ocorrido na Penha. Inesperadamente, sobre a pequena e desconhecida cidade, voltaram-se todas as atenções dos brasileiros, principalmente dos abolicionistas. A imprensa abolicionista foi implacável nos ataques ao advogado Brasílio Machado por aceitar a defesa dos réus incriminados na morte de Joaquim Firmino. O advogado ganhou a causa, contrariando os prognósticos e recebeu uma verdadeira fortuna, contudo ficou para sempre marcado como um traidor da luta em prol da abolição. No final do rumoroso processo da Penha os réus foram absolvidos, pois não havia sobre quem recair qualquer penalidade. Não se sabia quem matara o delegado.
Quase dois anos após a morte do delegado, em 1890, a Câmara Municipal encaminha para o governador do Estado ofício pedindo a mudança do nome. Diz o documento: "A intendência municipal desta cidade da Penha do Rio do Peixe em sua sessão de hoje, resolveu por votação unânime, representar-vos no sentido de ser mudado o nome que esta cidade e município tem conservado até hoje, pelo de cidade e município de Itapira, satisfazendo assim, o desejo de grande parte de sua população. Essa indicação tem por fim apagar qualquer sombra que o passado possa projetar sobre o futuro desta cidade, riscando do quadro das cidades paulistas um nome execrado por mais de um título".
Foto do Delegado e de sua residência em Itapira, onde ocorreram os fatos.
Seu assassinato em 1.888 redundou a mudança do nome da cidade depois de 2 anos, passando de Penha do Rio do Peixe para Itapira.
Da vasta bibliografia que registra o período escravagista e a fase abolicionista no Brasil, é mínima a que se refere a um episódio que teve expressiva repercussão quatro meses antes da assinatura da Lei Áurea. Trata-se da participação que teve um Delegado de Polícia no movimento abolicionista no interior de São Paulo, nos últimos anos do século XIX, da qual resultou o sacrifício da sua vida de forma brutal. Esse Delegado era Joaquim Firmino de Araújo Cunha, cuja morte se deu na madrugada de 11 de fevereiro de 1888, quando foi vitimado por um bando alucinado de fazendeiros escravagistas e seus capangas, que invadiram a sua residência e o trucidaram.
A história desse triste episódio é conhecida nas vizinhas cidades de Itapira e Mogi Mirim, a primeira por ter sido o palco do acontecimento e a segunda por ser a terra natal da vítima. Foi sem dúvida um fato lamentável, do qual redundou a mudança do nome da cidade, passando do 'execrando' Penha do Rio do Peixe para o 'eufônico' Itapira, conforme solicitação feita pelas autoridades locais ao governador do Estado, Prudente de Moraes, isso em 1890. A alteração era a forma de tentar extinguir da memória das pessoas a mácula que ultrajava os penhenses desde a ocorrência do assassinato.
Hoje quando se fala na morte de Joaquim Firmino, o caso é narrado com algumas fantasias e várias distorções. Mesmo assim, pelas circunstâncias em que se deu o crime, o episódio de 11 de fevereiro de 1888 está enquadrado na relação das efemérides ligadas à escravatura e à abolição no Brasil, e Joaquim Firmino é citado como herói e mártir da emancipação da raça negra.
O advogado de defesa dos réus, Brasílio Machado considerou falsas as acusações feitas pela imprensa quanto à selvageria do crime, além de não concordar com o título de mártir dado a Firmino, alegando que o delegado era senhor de duas escravas o que não condizia com sua postura abolicionista. Provavelmente o próprio Brasílio também possuísse escravos, o que não quer significar que ambos - ele e Firmino - não esposassem ideais emancipacionistas. O mesmo já não se pode dizer em relação àqueles que defendiam intransigentemente a permanência do regime do cativeiro.
Espantosa a inusitada a atitude adotada pelos fazendeiros penhenses de eles próprios invadirem a casa de Joaquim Firmino, em plena madrugada e trucidarem seu morador. A dedução mais plausível é a de que eles estavam irritadíssimos com o delegado pelo descumprimento de determinações superiores que o mandavam dar caça a escravos fugidos, ao que ele se negava terminantemente. Junte-se a este fato a impertinente e provocadora atitude de açoitar em sua própria casa, escravos de figuras importantes da cidade, como era o caso do major David Pereira, neto do co-fundador da cidade. Mais ainda, desde o ano anterior Joaquim Firmino e Joaquim Ulisses Sarmento, seu conterrâneo de Mogi Mirim, participavam de movimentos abolicionistas nessa cidade e Penha do Rio do Peixe. Cunha deve ter sido visto como uma perigosa arma voltada contra os senhores poderosos, pelo estímulo que transmitia aos escravos de abusarem de direitos que não tinham. Restava, pois, colocá-lo no seu devido lugar.
Diante do descaso com que eram tratados os fazendeiros da Penha, o chefe da Polícia da capital, naturalmente por denúncia que lhe chegou às mãos, resolve exonerar Joaquim Firmino do cargo de delegado, que vinha exercendo desde de 1885. Por incrível coincidência, o ato de demissão, assinado pelo presidente da província, está datado de 11 de fevereiro de 1888, exatamente do dia do assassinato de Firmino. Arriscar alguns prognósticos e a esta altura do tempo já decorrido é um tanto fora de propósito, mas não deixa de ser válida a cogitação de que se os fazendeiros tivessem sabido da exoneração o crime poderia até não ter ocorrido.
Foram precipitados os fazendeiros-escravocratas penhenses, levando a efeito o trucidamento de Joaquim Firmino. Com isso, contribuíram para avivar a propaganda abolicionista, na qual pontificavam nomes dos mais expressivos, tais como Rangel Pestana, Bernardinho de Campos, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Ângelo Agostini, João Mendes Jr., entre outros. Os detalhes da invasão da residência do delegado, em plena madrugada, as agressões sofridas pela esposa e os três filhos menores, a selvageria de que se revestiu o assassinato de Firmino, chocaram profundamente os abolicionistas e a opinião pública, fazendo com que a Princesa Isabel não retardasse a assinatura da lei emancipadora no dia 13 de maio daquele ano, três meses após o crime ocorrido na pacata e até então desconhecida Penha do Rio do Peixe, a futura Itapira.
As primeiras notícias do assassinato de Joaquim Firmino estampadas na imprensa são devidas ao jornalista, farmacêutico e vereador Joaquim Ulisses Sarmento, amigo íntimo da vítima. Foi na Gazeta de Mogi Mirim que no dia seguinte ao acontecimento, um domingo, saiu publicada a primeira informação da ocorrência. Na terça feira, dia 14, os grandes jornais abriam suas páginas registrando o crime ocorrido na Penha. Inesperadamente, sobre a pequena e desconhecida cidade, voltaram-se todas as atenções dos brasileiros, principalmente dos abolicionistas. A imprensa abolicionista foi implacável nos ataques ao advogado Brasílio Machado por aceitar a defesa dos réus incriminados na morte de Joaquim Firmino. O advogado ganhou a causa, contrariando os prognósticos e recebeu uma verdadeira fortuna, contudo ficou para sempre marcado como um traidor da luta em prol da abolição. No final do rumoroso processo da Penha os réus foram absolvidos, pois não havia sobre quem recair qualquer penalidade. Não se sabia quem matara o delegado.
Quase dois anos após a morte do delegado, em 1890, a Câmara Municipal encaminha para o governador do Estado ofício pedindo a mudança do nome. Diz o documento: "A intendência municipal desta cidade da Penha do Rio do Peixe em sua sessão de hoje, resolveu por votação unânime, representar-vos no sentido de ser mudado o nome que esta cidade e município tem conservado até hoje, pelo de cidade e município de Itapira, satisfazendo assim, o desejo de grande parte de sua população. Essa indicação tem por fim apagar qualquer sombra que o passado possa projetar sobre o futuro desta cidade, riscando do quadro das cidades paulistas um nome execrado por mais de um título".

Dr. Bernardino de Campos, primeiro chefe de polícia do Estado de São Paulo, no regime republicano, em 1.889.

Delegado de Polícia Cid Guimarães Leme. Um dos grandes nomes da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Foi Delegado Seccional de Polícia de Campinas, Delegado Regional e Diretor do Derin. Exemplo de dedicação, idoneidade e trabalho, honraram-no com seu nome para o prédio. Uma liderança muito respeitada na PC, era conhecido na época, como a "Eminência Parda da Polícia Civil".

Estela Borges Morato, Investigadora de Polícia do DOPS morta em ação (década de sessenta)
O pai da Estela era o investigador Morato. Ela estava de "campana" na Alameda Casabranca, juntamente com mais duas investigadoras, o Delegado Fleury, o investigador Trailer e o Delegado Tucunduva, se passando por casais de namorados, em viaturas descaracterizadas, com vistas a captura de Carlos Marighela. Ocorreu um confronto de mais de 5 minutos de intenso tiroteio, onde faleceram Estela, Marighela e um dentista que passava pelo local, também sendo baleado na perna o Delegado Rubens Cardoso de Mello Tucunduva.
O pai da Estela era o investigador Morato. Ela estava de "campana" na Alameda Casabranca, juntamente com mais duas investigadoras, o Delegado Fleury, o investigador Trailer e o Delegado Tucunduva, se passando por casais de namorados, em viaturas descaracterizadas, com vistas a captura de Carlos Marighela. Ocorreu um confronto de mais de 5 minutos de intenso tiroteio, onde faleceram Estela, Marighela e um dentista que passava pelo local, também sendo baleado na perna o Delegado Rubens Cardoso de Mello Tucunduva.
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